30 de out de 2011

A história do Escritório das Letras

Palavras.
É com elas que ganho a vida. Desde cedo começaram a fazer parte de minha história. Aliás, foram justamente as estórias que me fizeram ver que palavras têm vida. Mesmo antes de aprender a ler e escrever, ouvia atenta às histórias que meu pai inventava, ou àquelas dos disquinhos infantis, que contavam de um mundo de faz de conta. Não havia imagens, apenas palavras faladas. E elas eram capazes de me transportar para outros mundos.
A leitura, depois que fui alfabetizada, passou a fazer parte de meu universo. Cresci em uma casa cheia de livros, revistas, gibis. Fui educada por um contador de estórias, que deixava a imaginação correr solta pelas casas da minha infância.
Adolescente, encontrei nos livros e na produção de textos o consolo para o deslocamento que todo adolescente vivencia. Em Fernando Pessoa, Victor Hugo, Caio Fernando Abreu, Shakespeare, Sidney Sheldon, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, entre tantos outros, encontrei palavras que se transformavam em imagens. E que transformaram minha vida.
Já na faculdade, a leitura tomou outro corpo. A elaboração de textos também. Escolhi o jornalismo por acreditar que poderia fazer diferença na vida de alguém. Que poderia usar o dom da comunicação para fazer algo bom para a sociedade. Na verdade, até hoje me questiono se consegui atingir esse objetivo.
Na vida adulta, a literatura misturou-se à leitura de obras clássicas no campo teórico da comunicação, das Relações Públicas e da Administração. Diferentes autores contribuíram para moldar a maneira como entendo os diferentes temas de meu mundo profissional.
Ler nos ajuda a formar uma visão de mundo. Contribui para a consolidação dos nossos valores e crenças. Desenvolve o vocabulário. Estimula o pensamento criativo. Quem lê normalmente tem facilidade para escrever, para expressar suas ideias de maneira clara, para argumentar com base em fatos.
As palavras nos acompanham ao longo de nossa vida. Seja quando lemos, escrevemos, ouvimos, falamos, vemos um filme, passamos por um anúncio. Elas criam imagens. Nos levam para Passárgada ou para Verona. Nos transportam para o futuro, nos colocam em palácios de séculos atrás.
É justamente pela importância que as palavras têm em minha vida que resolvi, recentemente, investir em um projeto antigo. Acabo de criar o Escritório das Letras Comunicação. Uma pequena empresa onde o principal insumo são as palavras, que se juntam para formar discursos corporativos. Por meio desse trabalho, quero exercitar uma das atividades que mais me dá prazer na vida: a escrita.
Começo sem pretensões, com alguns clientes antigos, outros novos. Sei que desafios virão, mas acredito na força das palavras, que sempre me acompanharam. Velhas conhecidas, amigas de infância, agora também companheiras de trabalho.
Energias positivas para o sucesso do Escritório das Letras, ao lado de meu sócio, sobrinho e vizinho Eduardo Zenon.

22 de out de 2011

Enem em Uberlândia: caos no trânsito da região universitária

Mesmo com sinal verde para motoristas
que trafegavam pela Av. Vinhedo,
trânsito parado por causa da imprudência de
quem seguia pela Nicomedes.
Sou leitora assídua de jornais, assisto aos telejornais e sou mega conectada à web. Justamente por isso, há momentos em que penso que a imprensa de Uberlândia vive no país das maravilhas, em uma cidade onde não acontecem coisas ruins. Um exemplo foi a situação do trânsito na cidade hoje, em função da realização das provas do Enem.
Moro no Santa Mônica e tive que ir até a Morada da Colina para levar meu sobrinho à faculdade onde faria a prova. Um trajeto rápido, que normalmente não tomaria mais que vinte minutos. Previnida, e já esperando uma grande quantidade de automóveis indo para aquela região (li no Correio que entre Unitri e Pitágoras seriam 10 mil candidatos), saí de casa com mais de uma hora em relação ao prazo para o fechamento dos portões.
Avaliei as rotas alternativas e preferi fazer o circuito Rondon - Nicomedes, justamente por temer dificuldades nos cruzamentos da Nicomedes, que imaginei estaria bastante congestionada. Embora tenha me planejado, fiquei surpresa com a quantidade de veículos e a total falta de autoridades policiais a orientar e controlar o fluxo dos carros. Com dez mil pessoas se dirigindo a um mesmo local, cujo acesso, em grande parte é feito por uma ou duas vias, era de se prever a necessidade de gestores do trânsito.
Na ida para a faculdade Pitágoras, vi dois acidentes, um envolvendo vítima, deitada no chão aguardando o Corpo de Bombeiros. O carro do resgate não conseguia chegar ao local. Mais perto da faculdade, uma colisão entre dois carros, com danos grandes aos veículos. Agora à noite, quando fui ler os veículos de comunicação online, minha surpresa: a PM não registrou ocorrências. Será que os acidentes que vi foram miragens?
Na verdade, essa foi a única menção que vi ao trânsito caótico nos canais online. No final da prova, por volta das 17h30, o cruzamento da avenida Nicomedes com a Vinhedos virou território de ninguém. Quem seguia pela Nicomedes fechava o cruzamento, não deixando que o trânsito da outra via circulasse quando o semáforo permitia. Um motorista em sua possante caminhonete não pensou duas vezes: subiu no canteiro central da Nicomedes e foi-se até a entrada da Unitri. Outros desciam dos carros para tentar localizar filhos. Jovens caminhavam rumo aos pontos de ônibus em meio aos carros. Chovia. Cena triste em uma cidade que ganha tantos prêmios, mas se demonstra incapaz de gerir o trânsito em uma situação especial e previsível.
Além da miopia de nossos veículos de comunicação, penso que o mais grave foi a completa ausência de autoridades de trânsito. Quando conseguimos cruzar a Nicomedes, no meio à bagunça geral, ligamos para a Polícia Militar para avisar sobre a situação e os riscos. O policial que nos atendeu perguntou se não havia nenhuma viatura no local. Dissemos que não. Ele disse que iria verificar e mandar alguém para aquele cruzamento.
Uberlândia cresceu. A região universitária em breve receberá um shopping. Centenas de casas populares acabam de ser entregues no Shopping Park. O trânsito da região não comporta um grande movimento de carros. Sinais de que aquela região necessita de atenção em situações especiais, como foi o caso do Enem. Candidatos perderam a prova devido às dificuldades de acesso.
Prevejo que amanhã a situação será a mesma. Acho que, depois de deixar meu sobrinho, vou estacionar o carro onde for seguro, sacar meu celular e registrar a confusão, porque tem horas em que parece que vivo em uma cidade retratada pela imprensa como um conto de fadas, onde tudo funciona, onde um trânsito caótico é retratado como pequeno tumulto. Onde vejo dois acidentes e leio que a PM não registrou ocorrências.
Fila de carros seguindo para Unitri e Pitágoras
É preciso repensar a cidade. Planejar melhor o transporte público, o sistema de caronas (a maior parte dos carros seguia apenas com o motorista ou com um motorista e um passageiro). O Enem é planejado com meses de antecedência. Será que as autoridades de trânsito não foram avisadas? Começo a desconfiar que não. E também que vivem na Uberlândia cidade das maravilhas...

Domingo, 15h10. Todos os problemas se repetiram...

2 de out de 2011

Kotler é básico. Mas será que estamos fazendo o básico?

Fonte: Blog da Propaganda
 
http://blog.algarmidia.com.br/blog-da-propaganda/
Crédito: Valter de Paula
Semana passada, profissionais da área de Comunicação e Marketing de Uberlândia tiveram a oportunidade de assistir a uma palestra de Philip Kotler, considerado o "pai do Marketing". Autor de inúmeros livros, o pesquisador e professor apresentou em sua palestra (transmitida via videoconferência a partir do HSM ExpoManagement, com patrocínio das empresas Algar Telecom e Algar Mídia) conceitos básicos de Marketing.
Ao final, ouvi muitos comentários do tipo: "Eu esperava mais, ele falou coisas muito óbvias". Imediatamente pensei com meus botões e minha cabeça de blogueira: vou escrever sobre isso. Afinal, será que estamos fazendo o óbvio em nossas organizações?
Assistiram à palestra profissionais de empresas e agências de comunicação de Uberlândia. Muitos são responsáveis pelas ações mercadológicas das organizações que representam. Fiquei me perguntando: quantos dos profissionais ali presentes pensam em públicos, ao invés de público-alvo? Quantos envolvem realmente o consumidor em suas estratégias, criam junto com o cliente, a partir de sugestões que ele apresenta?
Uma vez fui à livraria Saraiva comprar obras de comunicação. Encontrei-as no meio da seção dedicada á linguística. Observei isso junto à vendedora e ela me disse: "aqui na loja fica neste lugar mesmo, não vamos mudar". Engoli em seco, fiquei chateada e nunca mais voltei nessa livraria. O mínimo que eu esperava era um "obrigada pela sugestão. Vamos estudar".
Kotler falou também que o consumidor precisa ser conquistado pela mente, pelo coração e pelo espírito. Precisa gostar das marcas. Ele nos desafiou a pensar em uma marca pela qual somos apaixonados. Na hora pensei: "Não vivo sem o Google". Depois tentei achar uma marca local pela qual eu pudesse dizer a mesma coisa. Não consegui.
Gosto de algumas (nível do coração) mas não me sinto conectada espiritualmente a nenhuma. Isso porque vejo poucas empresas efetivamente contribuindo para o desenvolvimento cultural da cidade, algo em que dou muito valor. Empresas locais investem em projetos de responsabilidade social, algumas em sustentabilidade, mas não vejo ações concretas ligadas à cultura. O Mimu Festival, um evento muito bacana de música clássica que aconteceu em Uberlândia, ficou no vermelho. O grupo de dança Balé de Rua, que faz um trabalho incrível com crianças, corre o risco de fechar. E enquanto isso, empresas anunciam que doam computadores, plantam árvores e trocam copos plásticos por canecas.
Outra coisa muito legal que Kotler falou foi sobre as marcas nas mídias sociais. Ele aconselhou cautela. Mas reforçou que as marcas já estão nas redes, independente da vontade dos empresários. Acho engraçado quando ouço uma empresa local dizer: "agora estamos nas redes sociais, visite-nos, curta, comente". Todos já estamos nas mídias sociais. E a palavra de ordem é outra. Que tal dizer: "Oi, agora estou aqui também, vamos conversar?"
Sempre que cito a Luiza Trajano ou o Magazine Luiza no twitter, ela me responde, nem que seja com um curto "thanks". Mega ocupada, quase ministra, ela interage com os internautas. Por aqui, muitas vezes não recebemos respostas. Comentários caem em um limbo cibernético de onde talvez nunca saiam. Lembro que uma vez uma empresa da qual gosto muito anunciou a criação de seu perfil no twitter. Acho que foi o ISO Olhos. Eu amo a empresa (talvez essa seja a única sem a qual eu não viveria na cidade). Enviei uma mensagem super bonitinha desejando os parabéns e declarando meu amor. Nunca me responderam. Depois, como conheço a profissional de lá, muito competente, ela me disse que queria que o médico respondesse, mas acabou não acontecendo. Fazer o que né?
Para fechar este post sobre coisas óbvias e básicas que não estamos fazendo no mercado local, Kotler falou sobre a hierarquia dos relacionamentos corporativos. Primeiro o cliente, depois o funcionário, em seguida a comunidade e só então os investidores. Vejo boas propagandas para o cliente. Poucas empresas investem efetivamente em relacionamento com seus funcionários. Menos ainda se relacionam com a comunidade do entorno. Boa parte tem foco nos resultados para o acionista.
Conheço alguns bons cases de relacionamento com funcionários. Dia desses fui ao Hospital Santa Clara e gostei do que vi. As profissionais responsáveis me disseram que ainda há muito o que melhorar, mas vão chegar lá. Maior dificuldade: recursos.
Por fim, o "Pai do Marketing" falou sobre alguns aspectos que podem contribuir para que as empresas entreguem mais que produtos e serviços, para que elas entreguem felicidade: demonstrar real interesse pelos stakeholders (públicos); pagar salários justos; ter uma cultura organizacional forte (e compartilhar isso); ter facilidade para conversar internamente e contratar pessoas apaixonadas por servir. Básico e óbvio, não? Quem estiver fazendo tudo isso levanta a mão!
Aproveito para lançar uma proposta. Quem tiver boas e básicas histórias como as de Kotler para compartilhar, o blog está à disposição.

1 de out de 2011

Uma nova forma de pensar as relações de consumo e cidadania

Fonte: www.cafebox.com.br
Não sei de onde isso veio, mas tenho pavor de desperdício. Não deixo comida no prato, esquento o que sobrou do almoço na janta, apago a luz ao sair dos lugares, verifico se tem torneira pingando. Por isso me assusta tanto ver o desperdício coletivo de alguns recursos tão finitos do nosso planetinha azul, cada vez mais explorado.
Me dói ver gente desperdiçando água. Tem dias em que vou caminhar no Parque do Sabiá e presencio diversos bebedouros vertendo água pelo encanamento. Mais de uma vez já falei com o vigia. Sabe o que ele faz? Nada. Já aconteceu de um bebedouro vazar por vinte dias direto, sem nenhuma providência.
Outra coisa são as pessoas usando a mangueira como vassoura. Isso dói na alma, aquela água correndo pela calçada, fluindo para os bueiros. Seria mania de limpeza ou preguiça mesmo? Minha ajudante lava a calçada de casa com balde, gasta muito menos água. As plantas a gente rega com o regador, faz uma boa diferença na quantidade de água gasta.
Energia também é algo muito desperdiçado, em especial nos prédios públicos. Eventualmente volto mais tarde da faculdade e passo perto do campus Santa Mônica depois que as aulas já terminaram. Me impressiona a quantidade de luzes acesas. Sei que algumas ficam assim por segurança, mas deve haver uma medida para se economizar um pouco os recursos. Existem sensores de movimento, de presença, entre outros. Eles permitem saber se tem pessoas no ambiente para manter as luzes acesas apenas durante o tempo necessário. Energia no Brasil é gerada a partir da força da água. Como essa também se torna um recurso escasso, em algum tempo teremos problemas com esse uso desenfreado.

Consumo

Tem outro tipo de desperdício no qual sempre penso, acarretado por uma visão míope por parte de quem fabrica e comercializa determinados produtos. Costumo ir à feira semanalmente. Gosto de folhas e frutas. Compro queijo semanalmente. Em algumas barracas, consigo que os feirantes me vendam uma quantidade menor. Em outras, eles se recusam. Acaba que uma boa parte das folhas seriam desperdiçadas, caso eu não compartilhasse a feira com minha ajudante, semanalmente. Ela sempre leva meio pé de alface, de couve, de brócolis. Existem ainda supermercados que vendem pequenas quantidades de verduras, mas o preço é maior que o de um maço inteiro. Consigo dividir nas barracas o queijo, a couve-flor, o cacho de bananas. Mas de resto, nem pensar. È quase um benefício que ofereço para a minha ajudante.
No supermercado, reflito sempre sobre o leite, que só é vendido em embalagens de um litro. Quem mora sozinho dificilmente toma um litro de leite rapidamente. Ou compra para fazer uma receita e não usa o resto. Fico pensando por que a indústria do leite é tão tradicional. Acho que se vendessem leite branco em caixinhas menores, iriam ter ainda mais consumidores. Eu parei de comprar leite, enjoei, mas algumas vezes compro para cozinhar. Uso um copo e o resto acaba ficando na geladeira até eu me lembrar de jogar fora. O mesmo acontece com o pão de forma, com pacotes grandes demais para quem vive sozinho. Ao final de uma semana já começam a estragar. E quando oferecem embalagens menores, elas custam tanto quanto, ou mais que as maiores. Lógica estranha essa do mercado.
A indústria, em geral, não acompanha as mudanças na sociedade com foco em sustentabilidade. Torna os produtos descartáveis, levando o consumidor a preferir comprar um novo a consertar um velho que deu defeito. Dia desses mandei minha máquina de lavar e meu circulador de ar para o conserto. O rapaz do orçamento veio, olhou e me falou o valor. Ficou caro, mas ele me disse que eram produtos de qualidade, que iriam funcionar ainda muito tempo a partir daqueles reparos. Se eu comprasse um novo, além de perder os velhos, iria investir em algo com um tempo de vida bem menor.
Mas como consumidores, somos levados a acreditar que vale a pena comprar um novo porque o preço é quase o mesmo, o novo tem duas funcionalidades a mais, é mais moderninho. E lá vamos nós cair no discurso dos produtos cuja obsolescência é programada, apenas para nos fazer gastar mais, comprando sempre o mesmo. Pode não parecer, mas isso é um tipo de desperdício. Dia desses inventei de trocar meu celular. Fui pesquisar na CTBC e fiquei sabendo que ela me dá um bônus de R$ 50,00 pelos meus aparelhos antigos, sejam eles de que marca forem e de que tempo forem. Achei isso bem legal, afinal quem é que não tem aparelhos antigos de celular parados em alguma gaveta? Ou máquinas fotográficas? Ou MP3? Ou computadores? Já pensou se a indústria recolhesse e ainda premiasse o consumidor? Mesmo sem premiação, só o fato de recolher aquilo que não serve mais para o consumidor já seria uma vantagem.
Imagina se a empresa de geladeira aceitasse de volta minha geladeira antiga e me desse algum desconto por ela? Ou quando eu decidir trocar meu televisor, o fabricante aceitá-lo e me oferecer algum tipo de brinde, tipo uma antena bacaninha. Ou quando eu for comprar um perfume novo, eu pudesse levar os vidros dos antigos, que poderiam ser limpos e voltar a armazenar outros perfumes. Esses produtos antigos poderiam ser reciclados e voltar para a linha de produção, de alguma maneira. Normalmente são peças de qualidade. Nessa semana, li no jornal que a madeira que está sendo retirada do Mineirão, estádio em Belo Horizonte que passa por reformas para a Copa de 2014, está sendo doada para artesãos do Estado todo, para ser aproveitada e transformada em arte. Olha que exemplo bacana. Melhor que jogar fora. Ou virar carvão.
A gente desperdiça muita coisa em termos de eletrônicos, embalagens de vidro, pilhas, baterias, roupas, sapatos. Ultimamente optei por reciclar, consertar, conservar, transformar. Gasto um pouquinho, mas evito o desperdício e aumento a vida útil das coisas. Recentemente três sapatos voltaram novos do sapateiro que mora ali na esquina. Minha máquina de lavar está funcionando que é uma maravilha. A Maria fica feliz por dividir a feira comigo. Ainda não achei solução para o leite.
Evitar o desperdício é possível. Basta a gente querer e mudar. Mas muitas vezes nos deixamos levar por argumentos mercadológicos sedutores.
Conselho aos profissionais do Marketing: em um futuro próximo, com recursos cada vez mais escassos, o canto da sereia será voltado para o consumo consciente, o aproveitamento e o fim do desperdício. Será um momento de reinvenção, eu espero.


Este post está participando do Concurso Cultural “Iniciativa Verde”, promovido pela Algar Telecom, detentora da marca CTBC. Acesse: www.ctbc.com.br/sustentavel e saiba mais.

#Seja Legal no Trânsito


Fonte: www.uberlandia.mg.gov.br
Foto: Paulo Churrasquim
Nos últimos dias, a Prefeitura de Uberlândia colocou no ar uma campanha chamada Seja Legal no Trânsito. Uma iniciativa importante, apesar de uma comunicação visual que eu, particularmente, considerei infantilizada, talvez pela minha aversão aos mascotes. Trânsito é coisa séria e como tal deve ser tratado.
A proposta da campanha é muito boa, de conscientizar a população a respeito das leis de trânsito e também de motivar as pessoas a serem bacanas no trânsito, respeitando o outro e evitando pequenos conflitos em situações onde a gentileza é a melhor ferramenta.
Na semana passada, rodei pela cidade e não passei por nenhuma das blitzes educativas que foram realizadas pela Secretaria de Trânsito. Uma pena. Queria ver o restante do material, como folders, discurso dos policiais, reprimenda aos que descumprem a lei.
Penso que a Prefeitura deve ter incluído os motoristas de ônibus como público importante de sua campanha. Eles cruzam a cidade inteira e muitas vezes são os primeiros a desrespeitar as regras de trânsito e de civilidade. Furam sinais, fecham veículos menores, ultrapassam a velocidade, não dão preferência. Espero que tenham passado por algum tipo de treinamento para serem legais no trânsito. Hoje, uma parte deles não tem esse comportamento.
No Dia Mundial Sem Carro, a TV Integração fez uma matéria muito interessante sobre os desafios de quem precisa de ônibus para chegar ao trabalho. Mostrou uma realidade muito diferente entre regiões centrais e periféricas. Depois, representante da prefeitura e uma especialista em trânsito responderam às perguntas dos apresentadores do programa. Nessa hora, mais uma vez vemos as disparidades. Pelo discurso oficial, tudo em Uberlândia está uma beleza. A trajetória de um dos repórteres não mostrou isso, muito pelo contrário.
Nem tanto ao céu. Nem tanto à terra. A campanha Seja Legal no Trânsito, à parte a mesmice do nome e a infantilidade do símbolo, tem muitos méritos. Os comerciais são fortes. Hoje passei por um carro destruído, colocado no canteiro central da Av. Anselmo Alves dos Santos que chama a atenção. Faz parte da campanha e é uma iniciativa feita para chocar e refletir. Muito mais que a mãozinha sorridente e que pisca no comercial (desculpem, odeio mascotes!).
Ao longo dessa semana, procurei ser uma motorista legal no trânsito. Não businei nenhuma vez para outros motoristas, mesmo que eles tenham me cortado, ultrapassado sinal ou forçado ultrapassagem. Dei passagem para motoristas que tentavam sair do corredor para entrar na Av. Rondon Pacheco. Parei o trânsito para que uma senhora pudesse sair de sua garagem no centro da cidade. O mais difícil foi não xingar os motoristas que optaram por não serem legais. Sempre xingo em silêncio...
Como próximas etapas, sugiro à Prefeitura que intensifique a fiscalização nas ruas, principalmente nas avenidas principais. Que exiga das empresas de ônibus o treinamento e adequação dos motoristas, para que sejam mais gentis. Que protejam os pedestres, por meio de semáforos, faixas elevadas, sinalização.
Vou torcer para que a iniciativa tenha o resultado esperado. A campanha ficou fraca, bastante similar à outras feitas em prefeituras pelo Brasil afora (basta jogar no Google para achar algumas que usam o mesmo nome, carinhas infantis, mãozinhas personalizadas). Mas o que vale é a atitude. Nossa, como motoristas; da Prefeitura, como órgão fiscalizador; dos bares, quando percebem que um cliente não tem condições de dirigir; da sociedade, que deve assumir a responsabilidade por construir uma vida mais legal na cidade.
Que tenhamos um trânsito melhor.