31 de dez de 2010

Rituais de passagem

Somos seres muito ligados a rituais, seja de que tipo forem. A antropologia deve explicar isso de alguma maneira, mas estou com uma certa preguiça de pesquisar a respeito, mesmo que seja no Google. Queria apenas refletir sobre os rituais e sua importância em minha vida, principalmente em uma época do ano tão marcada por eles.
Ontem, maior que o ritual de ver os fogos em Copacabana ou pular sete ondinhas na Praia, o ritual que mobilizou a nação foi a posse da Presidenta Dilma Roussef. Não votei nela, não lhe tenho a menor simpatia, mas confesso que meus olhos e minha atenção prenderam-se à força do ritual de posse, com todas as suas nuances e características únicas, afinal, é a primeira mulher a assumir a Presidência da República no Brasil. Queiramos ou não, fomos todos envolvidos pela força deste momento histórico.
Lembro-me de ter assistido emocionada à diversas posses de presidente, de Collor, Fernando Henrique e Lula. Lembro-me de ter chorado diante da morte de Tancredo. Lembro-me até de ter acompanhado o ritual da posse do presidente americano Barack Obama. Quer fossem políticos admirados ou apenas aceitos com resignação, nos rituais de posse estava contida uma semente de esperança de um novo tempo.
Rituais nos emocionam e fazem chorar ou rir. Ficam gravados na lembrança por muito tempo. São repetidos, registrados formal ou informalmente. Ganham espaço em nosso imaginário e em nossas mentes. Atribuímos a eles significados importantes. Algumas vezes, como na posse de Dilma, são rituais que todo mundo entende. Outras vezes, como na mensagem de fim de ano de minha irmã Ariadne, apenas a família consegue entender.
Nessa virada de ano, meu amigo Marco Lara e eu criamos nosso próprio ritual de passagem. Na verdade, reproduzi uma coisa que vivi em Barcelona, na Espanha, em 1999. Em frente à casa Mila, projetada por Gaudi, diariamente a prefeitura soltava um balão gigantesco contendo o sonho das pessoas, escrito em pedaços de papel. Naquele ano, em que viajava sozinha pela Europa, coloquei meu sonho no papel e lancei na cestinha que subiu com o balão. Nem lembro mais o que escrevi, mas deve ter se concretizado, porque estou muito feliz.
A força simbólica do balão subindo com meus sonhos nunca mais me abandonou. Repeti o gesto em três ocasiões. A primeira na CTBC, a segunda na American Express e agora, aqui na porta da minha casa, debaixo de chuva, ao lado de um grande amigo, em um balão em forma de palhaço, que serviu não apenas para transportar nossos sonhos e desejos, mas para fazer isso com muita alegria.
Foi um ritual alegre, feito com risadas, com lápis de cor, com direito a teste e lembrança dos amigos, parentes e familiares. À meia noite, fomos para a rua e soltamos o balão. Ele subiu, subiu, subiu, até que sumiu de nossa vista, provavelmente foi capturado por um anjo que levou nossos sonhos e desejos para o céu.
Aprendi que rituais tem diversos poderes, mas um deles é o de conectar pessoas. O balão com cara de palhaço é mais um símbolo da amizade que me uniu a quem estava perto e a quem estava longe. No seu vôo pelo céu chuvoso de Uberlândia, a esperança de novos sonhos que virão embalar minha vida em 2011.

Resoluções de Ano Novo de uma cidade que não pára de crescer

Todos fazemos resoluções de Ano Novo. Alguns escrevem, outros mentalizam, outros juram para o espelho ou trocam confidências com os amigos. Dilma Roussef, ao assumir ontem como a primeira presidenta do Brasil, fez sua resolução de Ano Novo em público, para os milhões de brasileiros que anseiam por um governo ético, honesto e que mantenha o país no rumo do desenvolvimento.
Independente da dimensão de nossos propósitos, é momento de lançá-los às boas energias do planeta, para que se concretizem com uma dose de fé, outra de paixão e a maior delas, de muito trabalho. Resoluções não podem se transformar em palavras soltas no vento. Elas precisam colar-se á nossa determinação para que se tornem realidade.
Para mim, resoluções de Ano Novo referem-se a mudanças que queremos provocar em nós mesmos, em aspectos que sabemos que precisamos melhorar ou coisas que precisamos incluir em nossas vidas. São projetos de ruptura, de novos começos, de quebra de paradigmas. Perder peso, aprender a dirigir, deixar de ser sedentário, encontrar um grande amor. Novos começos.
Ao refletir sobre isso, resolvi pensar em como seriam as resoluções de Ano Novo da querida cidade de Uberlândia, que me acolhe desde 1994 e tornou-se minha cidade, onde vivo, trabalho, estudo, tenho amigos e sou feliz. Concendendo-me a liberdade da qual blogueiros desfrutam, incorporo a seguir a alma da cidade e empresto esse espaço para que Uberlândia possa escrever suas resoluções de Ano Novo. Quem quiser, pode colaborar também.

 
Resoluções para 2011 da cidade de Uberlândia, terra gentil que seduz

 
  1. Em 2011, quero que os motoristas que trafegam pelas minhas ruas e avenidas sejam pessoas mais gentis, que obedeçam a sinalização e se respeitem uns aos outros. Vou manter os espaços urbanos limpos, sinalizados e, se necessário, policiados, para que todos se sintam seguros em andar pelas minhas largas avenidas ou pelas estreitas ruas do centro, seja a pé ou de carro. Vou também orientar motoristas de ônibus a respeitarem mais os veículos menores, os passageiros e os pedestres;
  2. Quero gerar muita riqueza e desenvolvimento por meio do trabalho, quero criar condições para que muitos empregos formais sejam criados e as pessoas que moram aqui encontrem condições de manter suas famílias com dignidade e alegria;
  3. Quero ter mais saúde, hospitais melhores, um atendimento público capaz de oferecer qualidade e segurança para os cidadãos que me escolheram para viver. Mais que grandes obras e discursos, quero promover ações concretas para que as pessoas consigam vagas em UTIs, sejam gentilmente atendidas nas UAIs e possam voltar para casa com esperança de que tudo vai melhorar;
  4. Quero que os estabelecimentos de serviços que funcionam aqui sejam capazes de atender às necessidades das pessoas de forma mais educada e gentil, que todos se orgulhem pelos seus trabalhos e façam com que o comércio local seja profissional o suficiente para que as pessoas prefiram consumir aqui e não pela internet ou em outras cidades;
  5. Quero que as pessoas parem de abandonar ou de perder seus cães em minhas ruas. Eles não sabem se virar sozinhos e podem acabar morrendo de fome, tristeza e solidão. Queria também pedir aos donos dos animais que fossem mais responsáveis, inclusive pela sujeira que os pets deixam para trás nas caminhadas;
  6. Quero que mais pessoas conheçam o Parque do Sabiá, onde bate meu coração verde. Que se exercitem mais, que visitem o Parque de forma consciente, com respeito à natureza e ao que represento;
  7. Quero menos lixo no chão e mais consciência quanto à necessidade de reciclagem, de economizar água, energia e outros recursos finitos do planeta. Quero que minhas calçadas sejam belas e limpas, mas que não seja necessário jogar água sobre elas para que isso aconteça. Basta que as pessoas não joguem lixo nas ruas e aprendam a usar melhor as vassouras;
  8. Quero que os políticos que me governem se deixem pautar mais pelo interesse público do que pelo privado; que pensem mais em todos os uberlandenses e uberlandinos do que em seus próprios bolsos e egos inflados;
  9. Quero que os empresários aprendam a investir para melhorar o bem comum, que sejam capazes de colocar recursos para incentivar a cultura, as artes, a cidadania, o apoio aos mais necessitados. Além é claro, de gerarem impostos, empregos, lucro e riqueza;
  10. Quero ser uma cidade livre de enchentes, com ruas limpas, pessoas educadas e que me amem tanto quanto eu as amo;
  11. Quero mais educação, para que os futuros cidadãos uberlandenses vivam em uma cidade onde meus desejos possam ser bem mais simples que esses que faço agora. Quero crianças e jovens aprendendo a ler, a escrever e a pensar por si mesmos, tornando-se grandes inovadores, que contribuirão para que eu me torne ainda melhor;
  12. Quero menos drogas e menos violência, menos assassinatos, roubos, furtos e desmandos. Quero mais policiamento nas ruas, quero mais ação e menos falação.
São muitos e muitos os meus desejos e resoluções de Ano Novo. Mas só vou conseguir concretizá-los por meio de cada cidadão uberlandense ou uberlandino.
E você, que resoluções acha que eu poderia tomar para ser uma cidade melhor? Posso contar com sua ajuda?

Este texto foi escrito no final de 2010. Pelo menos um de meus desejos parece ter sido realizado. A partir desta semana começa um projeto de coleta seletiva no bairro Santa Mônica. Vamos torcer para que seja bem sucedido!

 

 

 

14 de dez de 2010

Para que se contentar com o mínimo se você pode brilhar?

Entrei no carro e como sempre faço, liguei o rádio. Tocava Frejat. "Todo mundo sabe que homem não chora". Dissonância momentânea entre a letra da música e a realidade que eu acabara de viver, onde vi não apenas um, mas alguns homens chorando. Lágrimas que caíam na forma de emoção. Outras na forma de superação. A maior parte delas, na forma de ousadia.
Homens e mulheres que presentearam uma platéia atônita diante de uma apresentação de um projeto de fim de curso em uma universidade particular da cidade. Sim, apesar de muito jovens, eram homens e mulheres maduros, conscientes do que aprenderam e colocaram em prática na forma de uma proposta comunicacional para uma ONG de Uberlândia, chamada Ipê Cultural.
Há cerca de 18 meses tenho o privilégio de ser professora na ESAMC de Uberlândia, uma instituição particular de ensino que, assim como todas as universidades contemporâneas, tem qualidades e pontos a serem aprimorados. Uma dessas qualidades é o formato dessa avaliação final de curso, chamada PGE, que permite aos alunos colocarem em prática seus conhecimentos, na forma de um plano de marketing, comunicação, negócios ou estratégia. As equipes podem combinar diferentes saberes, com membros oriundos de cursos como Administração, Propaganda, Relações Públicas e Design.
O que assistimos estarrecidos hoje foi a apresentação de uma equipe chamada Candeia, que ousou apresentar seu projeto na forma de uma apresentação teatral, com um roteiro praticamente impecável, baseado nas análises de marketing feitas para o Ipê Cultural, uma organização não governamental de Uberlândia cujo fundador é um dos poucos idealistas que conheço e realmente merecem esse nome.
Desde o primeiro momento, o grupo captou completamente minha atenção. Ri alto, chorei, me emocionei, critiquei silenciosamente pequenos equívocos. Já na entrada, o primeiro impacto, o figurino era composto por saias e leques, usados igualmente por homens e mulheres. Um homem que tem a audácia de usar saia diante de seus colegas de classe, professores e demais alunos da faculdade já é, por definição, um homem de coragem. O texto, ao invés dos ensaiados jograis em que se transformam muitos projetos acadêmicos, fluía como em um palco. Aliás, o auditório, sala de aula em tantas situações, tornou-se um palco sob os corpos desses alunos que só podem ser definidos de uma maneira: brilhantes.
O texto foi redigido com cuidado, as repetições, a entonação, a interação entre os alunos / atores. Eles apresentaram temas como análise do ambiente interno e externo, matriz swot, terceiro setor, relacionamento com stakeholdes de uma maneira transparente, tão simples de entender que quase mataram uma professora de inveja pela capacidade comunicacional. Inveja branca.
Aqueles homens e mulheres aceitaram o desafio de se superar. Lembro-me bem que, quando apresentaram a primeira versão do projeto, no meio do ano, sofreram duras críticas. Naquela noite, vi lágrimas de tristeza. Hoje à noite, vi lágrimas de realização. Mas antes de serem homens e mulheres, são alunos de uma universidade privada, jovens da chamada Geração Y, tão criticados pela gente, um bando de pessoas mais velhas que muitas vezes ficamos indignadas com o comportamento deles. Somos diferentes, temos que aprender a conviver com isso. Melhores ou piores? Não faço a mínima idéia. Diferentes? Certamente.
A equipe Candeia mostrou que qualquer um tem o poder de se superar, mas que isso depende de algumas coisas, como o direcionamento do professor, que deve estar disponível e aberto para compartilhar seus conhecimentos; a capacidade de aprendizado, de mergulhar em leitura, de desafiar-se e ir além do que foi dado em sala de aula; de muitas horas de trabalho, fins de semana sacrificados, discussões, brigas, correções de rota.
Esse grupo de homens e mulheres, mesmo tão jovens, estabeleceram nessa noite um novo patamar do que se espera de um aluno que está concluindo seu curso. Não é que todos devam optar pelo teatro ou pelos formatos inusitados, mas que cada um deve buscar se superar. Por que aceitar uma nota 7 e passar de ano, se é possível conquistar um 10 e entrar para a galeria dos melhores? Ocupar esse lugar não é para qualquer um. É para aqueles que sonham, que querem conquistar o mundo e não apenas a nota mínima. Sinto falta disso nos jovens de hoje. Eles se contentam em passar de ano com notas limite. Poucos buscam superação.
Fiquei tão emocionada com o que assisti que quis compartilhar nesse espaço tão meu e de alguns leitores queridos. Ao longo da apresentação, me contive para não bater milhares de palmas, soltar assobios, abraçar cada um dos alunos / atores / profissionais. O trabalho teve falhas, que podem facilmente ser superadas. Mas foi um esforço de gente que não se contenta com pouco, gente que quer sempre mais, que busca a perfeição, que tem coragem de ousar, quebrar paradigmas, que estuda, que brilha e sabe da força que fez para brilhar.
Parabéns aos alunos da equipe Candeia da ESAMC de Uberlândia. Não é apenas porque sou professora nessa instituição, mas uma faculdade que incentiva o presente que recebemos hoje como educadores, é um lugar muito especial, onde estão se formando mais que profissionais melhores. Estão se formando pessoas melhores. Parabéns também ao professor Rubens Santos, nosso maestro!

Hoje, 20 de dezembro, saiu o resultado da avaliação final do PGE na ESAMC Uberlândia e a equipe Candeia ficou com 9,7 (nota mais alta do semestre). Os alunos ganharam um MBA na própria faculdade. Eles merecem!

5 de dez de 2010

Música sacra pertinho de casa

Uma das coisas que me encanta é música de qualidade. Fui educada para gostar de arte. Meus pais levavam a gente desde pequena ao teatro e a concertos. Meu pai tinha uma coleção de LPs dos grandes clássicos da música mundial e isso despertou em mim um delicioso espírito metade artista, metade incapaz de tocar qualquer instrumento (não gosto muito dessa metade, mas tenho que conviver com ela).
Eis que hoje, em plena Uberlândia do século XXI, fui levada em uma viagem pela música sacra. Cheguei na porta do céu, ouvi anjos cantando, mas preferi voltar para a Terra, afinal, tenho muita coisa para fazer por aqui ainda.
A apresentação aconteceu na igreja São Paulo, no bairro Santa Mônica, que frequento aos domingos. O coral era formado por alunos do curso de música da Universidade Federal de Uberlândia, que apresentou-se como parte de um processo de conclusão da disciplina. Padre Júlio, responsável pela nossa paróquia, aceitou a proposta da professora para que a apresentação acontecesse após a missa. Os fiéis, sempre tão apressados, aguardaram um pouco mais e puderam apreciar um momento único, eu diria raro, nessa nossa vida tão acelerada da cidade.
Somos vizinhos do campus Santa Mônica e poucas vezes vemos a universidade se aproximar da população dessa maneira. Os muros da UFU são altos, mas a voz dos anjos foi capaz de transpor a barreira e chegar até a pequena igreja, que fica a poucos quarteirões.
As peças apresentadas pelo coral encantaram os católicos. A mim, remeteu-me a um tempo de compositores clássicos que viam na música sacra sua maneira de chegar a Deus, ou mesmo sua fonte de renda, uma vez que quem contratava suas peças é que queria a sublimação espiritual por meio da melodia. As peças sacras são de uma beleza ímpar. Existem missais completos compostos por mestres, bem como peças isoladas que tornaram-se populares, como "Jesus, alegria dos homens", de Johan Sebastian Bach.
Para iluminar a semana de quem ler este post, selecionei um trechinho dessa música interpretada ao violão pelo brilhante violonista brasileiro, Baden Powell. Clique aqui para assistir.
Meu domingo fechou-se com chave de ouro, ou melhor, com clave de sol.

\0/ Campanha pela Gentileza \0/

Mais uma criação de Ceó Pontual
http://frasesilustradas.wordpress.com
Queria fazer uma proposta para quem ler este post. Uma campanha pela gentileza.
O Natal está tão pertinho. O novo ano quase batendo à nossa porta. A perspectiva de recomeço rondando nossos corações. Então, que tal mudar pequenos hábitos e ser mais gentil?
Existem várias maneiras de fazer isso. A começar por cumprimentar nossos vizinhos. Cumprimentar com alegria, perguntar como estão passando, fazer um pequeno elogio. Nada de entrar no elevador fingindo que fala ao celular só para evitar o olhar. Um sorriso alegre, sincero, daqueles gostosos de dar logo cedo, quer seja no elevador, quer seja naquele momento em que tiramos o carro da garagem.
Outra opção é ser gentil no trânsito (difícil essa!). Começa pelo uso consciente da buzina, que deve ser acionada apenas em caso de acidente iminente. Quando alguém entrar na sua frente de repente, mudar de faixa sem dar seta, te ultrapassar pela direita, mover-se lentamente pela esquerda, entre outras barberagens, conte até dez... Respire, reflita e siga adiante. Outra maneira de ser gentil no trânsito é dar passagem, deixar que um motorista entre na nossa frente, que passe para a outra faixa, que saia de uma faixa secundária. Experimente. Ser gentil no trânsito traz bons resultados.
É muito gostoso também elogiar as pessoas. Fazer pequenos comentários sobre um novo corte de cabelo, um perfume, um detalhe da roupa. Todos adoramos elogios. Eles fazem um bem enorme, tanto quando a gente faz como quando a gente recebe. Tem um professor da faculdade que sempre me elogia quando chego. Não se trata de assédio, mas de carinho verdadeiro.
Também dá para ser gentil nas filas, onde ao invés de reclamar, vamos conversar, elogiar a moça do caixa pela cor das unhas dela, olhar as pessoas nos olhos. Dá para ser gentil no ônibus e ceder o lugar para que as pessoas mais velhas possam se sentar. Dá para ser gentil na faculdade e falar mais baixo para que todos os alunos possam prestar mais atenção.
Outro lugar onde precisamos praticar a gentileza é em família. Quantas vezes nos ofendemos por pequenas coisas, ou nos esquecemos de elogiar uma conquista de um irmão, uma mudança de visual da esposa, uma mudança significativa na vida dos pais. A gente só se critica em família, cada vez mais. Da última vez que fui para a casa da minha mãe deixei de ser gentil com uma de minhas irmãs e o resultado foi péssimo. Tem momentos em que a falta de gentileza nos atinge como uma faca no coração.
Nem sempre a gente consegue ser gentil. Somos humanos, pisamos na bola. Todos temos nossos defeitos de fábrica, mas eles têm conserto. Então, está lançada a campanha pela gentileza.
Quem quiser participar, compartilhe sua história comigo. Conte aqui como a gentileza fez seu dia bem melhor. Vou adorar conhecer.
\0/ Campanha pela Gentileza!

1 de dez de 2010

Muito mais que uma empresa

Painel da artista Tomie Ohtake na CTBC de Uberlandia
extraída do site http://mosaicosdobrasil.tripod.com  /
Há pessoas que acreditam que uma empresa é apenas um lugar onde se trabalha. Ledo engano. Uma empresa é um espaço de convivência, de estabelecimento de laços emocionais, de trocas de conhecimento. È também um espaço onde conhecemos pessoas, onde fazemos amigos, até mesmo onde nos apaixonamos por alguém. É também o espaço onde se trabalha, se ganha dinheiro, se constrói sentido para algumas coisas, se investe em uma carreira.
Nessa semana, depois de muitos anos, voltei a visitar o prédio de uma empresa onde trabalhei durante cerca de 8 anos. Ao entrar, atrasada para um compromisso, mal tive tempo de deixar que as emoções tomassem conta. Afinal, iria apenas fazer uma palestra, estava acompanhada de uma pessoa da empresa e tudo foi muito rápido, como deve ser nas relações profissionais.
O impacto aconteceu ao sair. Eu sabia que encontraria pessoas, estaria novamente no meio daquela praça onde encontrava tantas pessoas diariamente, onde tomava café, onde desabafava, onde dava risada, onde ficava sabendo de boas e más notícias. No meio daquele espaço, um painel gigantesco da artista Tomie Ohtake tornou-se de repente um mosaico de minha própria vida na empresa. Entrei ali pouco mais que uma menina, saí uma profissional, uma pessoa decidida, certa de meus rumos e de minhas escolhas.
Cada pecinha do mosaico feito pela artista é também uma pecinha do meu próprio mosaico de vida. Da experiência dos desafios profissionais, dos estudos, das pessoas que conheci, da paixão que ficou calada pela falta de coragem de gritar, do casamento onde um morcego andando pelo chão assustou às convidadas, da amiga que quase perdeu o marido para uma doença, das crianças que nasceram e aprenderam a falar e andar em nossa companhia, das festas infantis em que passávamos horas preparando os balões, das conquistas profissionais e pessoais, da viagem para a Europa sentindo saudade dos colegas...
Vivi tantos momentos naquela empresa, que ela se tornou para mim muito mais que um trabalho.
Na verdade, naquele retorno percebi que a empresa é o menos importante. O que nos faz sentir saudade, chorar e sentir aquele aperto no peito, é a lembrança de todas as relações que se estabeleceram. Empresas gastam fortunas tentando manter pessoas felizes em seus ambientes de trabalho, porque acreditam que assim elas serão mais produtivas e atenciosas. Mas o que nos mantém em uma organização são as outras pessoas. São elas que nos fazem sentir saudade, porque foi com elas que vivemos momentos especiais.
Naquele dia, quando saí de lá, entrei no carro chorando muito. Não pelo que o prédio representou, mas pelo que cada pessoa com a qual convivi representa no desenho, sempre mutante, do mosaico da minha vida.

Natal é tempo de celebrar a vida!

Desde criança, eu adoro o Natal. Naquela época, meu pai tinha o dom de transformar gestos simples em momentos mágicos, talvez tentando mostrar às crianças que a fantasia nos ajuda a lidar com aspectos da realidade com os quais não queremos lidar, pelo menos por algum tempo.
Hoje acordei com espírito natalino. Tenho um CD do Frank Sinatra onde ele canta belas músicas de Natal. Quando começo a ouví-lo, é porque entrei no clima do nascimento do menino Jesus. Hoje ele foi minha trilha sonora. O engraçado é que o clima natalino me inspira a repensar minhas atitudes, pensar mais antes de buzinar para o babaca que fura o sinal ou para o péssimo motorista que pensa que a seta é artigo de luxo no carro.
Saí de casa ao som de Jingle Bells e neste clima permaneci o dia todo. Cantei com Frank Sinatra e com o Padre Fábio de Melo canções que falam de amor, da companhia dos amigos e familiares, do tempo de paz, de companheirismo, de solidariedade, de carinho. Resolvi que nada iria me chatear, de que eu vou viver em dezembro, e talvez pelo resto do ano que vem, em um clima de tranquilidade e paz, sem me aborrecer.
Para completar meu sentimento natalino, um bebê de passarinho caiu no meu quintal. O ninho é muito alto, não vou conseguir colocá-lo lá em cima. Improvisei um ninho para ele, coloquei água e um pouco de farelo. Ele resistiu até agora. Espero que se fortaleça e aprenda a voar, para conquistar seu lugarzinho no céu dos passarinhos, não no céu dos anjos passarinhos.
Enquanto isso, na cidade, o clima é de incentivo às compras. Eu optei por adiantar ao máximo, já escolhi os presentes e para isso, decidi atender ao pedido do amigo secreto, mas também comprar algumas coisinhas alternativas e exclusivas, diretamente das mãos de artistas muito especiais. Hoje fui tomar um chá no ateliê da Bela Cacique, que faz coisinhas lindas em pano, madeira, croche... Tudo muito gostoso.
O bacana deste chá é que foi um espaço de conversa, de trocas, de compartilhamento. Teve compra sim, mas teve uma troca que a gente não encontra de jeito nenhum nos shopping centers ou nas lojas abarrotadas do centro. Tem coisa mais antiga que mulheres sentadas em volta de uma mesa? Fala-se de casa, de filhos, de cachorros, de estudos, de sonhos. Fala-se de vida.
Ando sedenta de falar de vida. Ando sedenta de gente inteligente, que goste de conversar, de ler livros, de cinema, de pensar. Ando sedenta de ser provocada intelectualmente, de varar madrugadas conversando. Ando um tanto quanto farta da mediocridade das pessoas que concentram suas vidas na busca de um companheiro que talvez nunca venha, ou desperdiçam o rico tempo do diálogo julgando outras pessoas, ou ainda destilam críticas a desafetos que se estabeleceram com razão, mas não deveriam durar tanto tempo. Ando cansada de pessoas infelizes com o lugar que ocupam no mundo, que reclamam mais do que buscam uma mudança. Ando farta de homens de corações vazios, que buscam prazer no presente mesmo que encontrem um grande vazio em suas almas no momento seguinte.
Muitas vezes ando até mesmo farta de mim, com minhas fraquezas que me assombram como fantasmas.
Mas então vem o Natal, com sua magia. Decorei a casa com as peças do presépio que representam a Sagrada Família, Jesus, Maria e José. Coloquei-os bem à entrada da minha porta, convidando o amor natalino para entrar. Neste Natal, quero energia boa de presente. Será que é pedir muito?
Esses anjinhos fazem parte de minha decoração de Natal. Protegem minha casa contra energias negativas.
Por falar em energia boa, resolvi ilustrar este post com o comercial que O Boticário fez para o Natal. Clique aqui para assistir. Uma mensagem de amor, onde uma chuva de perfume traz alegria aos homens. É o que sinto quando vivencio o Natal na igreja católica, onde as palavras de Deus sobre o nascimento de Jesus iluminam minha vida e trazem importantes lições sobre a entrega absoluta a um propósito de vida.

Lugares (nada) gentis

Hoje de manhã, entrei na farmácia do Carrefour para comprar um remédio, que não havia encontrado na Drogalíder. Três moças estavam atrás do balcão. Elas estavam bastante concentradas em arrumar as prateleiras e quando chamadas, se dignavam a olhar para os clientes. Pedi o medicamento e também uma pasta de dente específica, que estava disponível nas prateleiras. Uma das três moças, novamente voltada para a arrumação da prateleira, me disse que eu podia pegar e depois ir para o caixa. Não prontificou-se a absolutamente nada. Quando fui ao caixa, novamente tive que aguardar que uma das três me desse atenção, já que a arrumação da prateleira parecia ser a coisa mais importante daquele estabelecimento. Essa história se repete muitas vezes, com cada um de nós. Vendedores que nos viram as costas e preferem cuidar das prateleiras. Vendedores que demonstram desinteresse por nos mostrar produtos diferenciados, em especial os da oferta. Fui comprar um produto na loja Cento e Oitenta Graus, que anunciou fortemente uma promoção de até 90% de desconto. Quando cheguei lá, o vendedor me mostrou tudo, menos os itens da tal promoção. Acabei comprando em outro lugar. Isso sem falar das inúmeras vezes em que os vendedores nos oferecem um número menor dizendo que com o tempo, ele laceia.
Outro exemplo de mau atendimento eu tive no restaurante Banana da Terra, no Santa Mônica. Pedi um refrigerante que chegou quando eu já estava quase terminando minha refeição. Fui pegar a sobremesa e deixei a lata e o copo sobre a mesa, com minha bolsa e meus óculos. Assim que me levantei, a atendente imediatamente veio limpar a mesa, retirou o refrigerante e o prato que eu havia utilizado. Quando eu fui pagar, reclamei para o caixa. Ele perguntou se eu queria outro refrigerante. Respondi que não. Queria apenas respeito!
Infelizmente, em Uberlândia a gente tropeça em mal atendimento todos os dias, em todos os lugares. Pessoas mal humoradas, que não gostam de servir, que trabalham por obrigação e não por gostar do que fazem. Muitas vezes, no comércio e em prestadores de serviços, parece que o cliente está fazendo um favor para o lojista.
Volta e meia vejo o CDL se mobilizando para organizar treinamentos para capacitação dos funcionários das empresas que atuam no comércio. Mais importante seria entender como o consumidor se sente, o que ele considera importante, como gostaria de ser tratado. Eu gostaria que meu refrigerante ficasse lá, esperando meu retorno. Gostaria que a moça da farmácia me ajudasse a achar a pasta de dente e que eu pudesse comprar o produto com preço promocional.
Penso que temos um problema ligado aos profissionais, mas também um problema ligado aos valores das pessoas. Ser gentil e simpático parece estar fora de moda. Tanto que, quando a gente vai em algum lugar e tem um tratamento diferenciado, sente-se maravilhado. Dia desses fui à creperia do Vila 207. O rapaz que nos atendeu é extremamente gentil, atencioso, lembra-se da gente de outros lugares onde trabalhou, é simpaticíssimo. Além do crepe ser ótimo, o atendimento é encantador. O mesmo aconteceu na Czaruste, onde fui comprar o presente que deixei de comprar na outra loja. O próprio dono me atendeu, não sabia o que fazer para me agradar e ainda me deu um brinde de Natal.
É por essas e outras que vou começar a criar a minha lista de estabelecimentos gentis, que vou sempre frequentar, divulgar, indicar. Quanto à lista dos lugares onde trabalham pessoas de mal com a vida, não vou insistir em voltar lá ou perder meu tempo falando bem ou mal. Vou apenas riscar de minha lista de compras qualquer lugar com energia ruim.

Meu lugar

Imagem do site do artista brasileiro Romero Brito
Alguma vez você já se sentiu completamente deslocado em um lugar que deveria te acolher? Já sentiu que não pertence a um lugar onde sempre esteve? Ou que não consegue mais um pequeno espaço naquele lugar que um dia foi seu ninho? Dia desses me senti assim. Como se eu não pertencesse a um lugar ao qual deveria pertencer. Um lugar familiar, aconchegante, acolhedor, mas ao qual eu não pertenço mais.
Todos nós temos o dom de conquistar nosso lugar no mundo. E nesse caminho, vamos nos afastando daquele lugar que já foi nosso um dia, mas já não é. Isso acontece quando saímos da casa de nossos pais em busca de nossos sonhos. Quando deixamos o conforto do lar, os cuidados da mãe e do pai, o companheirismo dos irmãos e partimos, mochila nas costas, peito aberto para conquistar o mundo. Acontece também quando saímos de um casamento, mudamos de cidade ou de país ou resolvemos morar com outra pessoa.
Neste caminho, nem tudo são flores. A gente fica sem lugar mas pensa sempre naquele canto que deixou para trás. Se algo der errado, ainda pode voltar para lá. Como na velha canção do Roberto Carlos, onde o cachorro lhe sorriu latindo. E vamos passando de canto em canto, conhecendo novas pessoas, novos lugares. Dormindo em qualquer canto, dividindo o quarto com gente estranha, morando sozinho, com amigos, com família de novo, algumas vezes morando com aquele que deveria ser nosso amor para sempre. E talvez seja.
A inquietude e a busca pelo nosso lugar continua. Cada passo nos distancia mais e mais daquele lugar da infância, que era tão nosso. Tão certamente nosso. O primeiro emprego aumenta a distância. Relacionamentos amorosos aumentam a distância. Filhos aumentam a distância. O tempo aumenta a distância. Quando a gente olha para trás, aquele lugar ainda está lá, mas deixou de nos pertencer há tempos. Isso porque nosso lugar é aqui, agora.
O lugar do presente pode ser povoado de amigos, amores, filhos, plantas, cachorros, alunos. Pode ser povoado de amor. Pode ser povoado de solidão. Pode ser embalado pela voz de Elis Regina ou Frank Sinatra. Pode ser enfeitado com coloridas gérberas. Pode conter em suas estantes as palavras de Caio Fernando Abreu travando duelos semânticos com Fernando Pessoa.
Quando a gente finalmente perde o lugar ao qual pertenceu um dia, dá uma grande vontade de chorar. Mas dá também uma vontade imensa de comemorar. A perda do lugar passado significa que assumimos definitivamente o lugar presente. Aquele onde fazemos amor à luz da lua, onde dançamos apaixonados ao som de Everytime We Say Goodbye, onde tomamos uma garrafa de vinho sentados no chão da sala, onde conversamos com a alma gêmea sobre como seria nossa vida se tivéssemos escolhido outros caminhos, onde passamos 24 horas seguidas estudando, onde cozinhamos novas e velhas receitas, onde recebemos amigos.
O lugar presente é o melhor lugar, onde quero estar hoje, agora, compartilhando comigo mesma o prazer das palavras, do gosto suave da minha Bohemia, o perfume das flores e do vento com cheiro de chuva. Eu pertenço a esse momento e ele é tudo que importa. Assim, fica menos triste a dor de não pertencer mais às sombras dos lugares passados. 
Em homenagem a este momento em que não quero mais voltar ao lugar passado, a música de Roberto Carlos, O Portão, na propaganda da Cofap, já que Belarmina faz parte do lugar presente. Quem quiser entender, assista. Clique aqui e mate saudade.

Alagada


Dia desses, da maneira mais inusitada, fui uma das quase vítimas das enchentes que atingem nossa cidade na temporada de chuvas. Perto da virada do ano, parei meu carro no estacionamento do Sacolão Center na Av. Segismundo Pereira, perto do campus Santa Mônica. Ele não é cimentado, os carros para sobre uma camada de brita que foi colocada no local.

Enquanto fazia minhas compras, começou a chover forte. Chuva de verão, pensei. Não há de ser nada, vai passar rapidinho. Cinco, dez, quinze minutos e nada da tempestade amainar. Foi quando um funcionário do sacolão perguntou de quem era o carro vermelho parado no estacionamento. Meu coração veio na boca. Ele disse que era melhor eu tirar o carro dali porque iria encher de água. Pediu a um dos funcionários que pegasse o guarda-chuva e fosse comigo até o carro. Ninguém se habilitou.
Peguei o guarda chuva e disse que eu mesma iria. Quando vi o estacionamento, a água tampava as rodas do carro e chegava até pouco abaixo do meu joelho. Deixei uma parte das frutas cair no chão e encarei a tempestade sozinha. Entrei no carro tremendo, com medo que ele não pegasse. Mas tudo estava bem. O interior estava sequinho e o motor pegou de primeira.
O próximo desafio foi sair de ré no meio daquela água toda e enfrentar a avenida Segismundo Pereira, que parecia um rio. Fui com força, engatei a primeira e foi assim até sair da avenida. Foi pouco, mas me deu muito medo porque a chuva não me deixava ver nada.
Quando cheguei em casa, eu tremia demais, mas depois fiquei pensando na quantidade de pessoas que são arrastadas pelas enchentes que acontecem nas cidades, com seus sistemas de escoamento de água entupidos de lixo urbano. E na rapidez com que a água sobe, impedindo que as pessoas tomem qualquer atitude. No meu caso, penso que seria mais adequado ter enfrentado a chuva no começo, antes do carro ficar em risco. Mas a gente nem pensa nisso, até que alguém nos avise.
Refleti também a respeito da forma como tratamos a cidade, jogando lixo no chão, sem nos preocuparmos com o fato de que esse lixo é que entope bueiros e impede que a água possa escorrer.
Em Uberlândia, parece que as consequências das grandes chuvas tem sido pequenas até agora. A prefeitura está avisando a população (pelo menos a que usa internet) sobre as áreas de risco praticamente em tempo real. Nós naturalmente já evitamos alguns trechos, mas podemos fazer um pouco mais, como evitar jogar lixo no chão, manter nossas casas bem conservadas, evitar sair de carro durante as tempestades ou procurar um lugar seguro quando a chuva começar.
Posso dizer que senti medo naquele dia. Não tanto pelo carro, que tem seguro, mas por enfrentar aquele mundaréu de água sem qualquer tipo de apoio. Nossa cidade cresce e com ela o ritmo dos seus problemas...

Este texto foi escrito antes do Natal. Antes do devastador efeito das enchentes que destróem encostas, casas e vidas no Rio de Janeiro. Nada se compara. Minha sensação pelo ocorrido em Uberlândia passa a ser nada perto do que assistimos estarrecidos pela televisão.

Uberlândia e o Natal

Fachada da Escola Estadual de Uberlândia durante
apresentação do espetáculo Janelas Encantadas
Neste ano, a cidade foi presenteada com inúmeras maneiras de celebrar o Natal. Quase diariamente, o jornal Correio traz matérias sobre apresentações natalinas, sejam na forma de teatro, de música, de artes plásticas.
Hoje fui assistir ao espetáculo Janelas Encantadas, realizado há 8 anos por iniciativa de Rogério Tibery. Mais uma vez, um momento de beleza marcando o Natal da cidade. Foi uma apresentação bacana, embora inferior à do ano passado, que me levou às lágrimas diversas vezes. Este ano foi mais música. Ano passado foi mais magia do Natal.
Mas o que importa é a beleza do espetáculo e das pessoas envolvidas, que decoraram a Escola Estadual de Uberlândia, conhecida como Museu, e fizeram dela um cartão vivo, onde as vozes do coral encantam nossos corações. Homens, mulheres e crianças compartilharam o mesmo espaço em total harmonia, com segurança pelas ruas do centro normalmente desertas à noite.
O centro da cidade ficou bonito com a iluminação do Museu Municipal e do coreto, além da Oficina Cultural, todos na Praça Clarimundo Carneiro. A Escola Estadual também foi decorada com luzes, destacando-se na paisagem do centro, pelo qual passamos tantas vezes sem nos lembrar do que o Natal verdadeiramente significa.
As luzes devem servir para iluminar o caminho que nos guia até Jesus, como outrora a estrela guiou pastores e reis magos. Elas servem para que a gente reflita que Natal vai além do consumismo exagerado que domina nossos dias.
O espetáculo Janelas Encantadas, as luzes nos prédios antigos do centro da cidade, as apresentações do Coral da UFU, as peças teatrais e tantos outros eventos que marcam o Natal na cidade contribuem para que a gente viva o espírito natalino, tempo de solidariedade, gentileza e recomeços.

Cidade sustentável

Estação de coleta de embalagens do
supermercado Carrefour, em Uberlândia
Queria lançar um desafio para as pessoas que realmente se importam em deixar um mundo melhor para quem virá depois da gente. Um mundo com menos desperdício e mais reaproveitamento, com menos consumo e mais compartilhamento, com maior aproveitamento dos recursos naturais, com destinação correta de lixo, com reciclagem de materiais, entre várias outras coisas. Em resumo, queria convidá-los para a construção de uma cidade mais sutentável.
Uberlândia é uma cidade que já ultrapassou a marca de meio milhão de habitantes. Imagine essa enormidade de gente, que diariamente consome os mais diversos itens e descarta as embalagens. Elas vão parar no lixo comum, porque apesar do porte, a cidade não tem coleta seletiva. E se tivesse, tenho minhas dúvidas que o lixo seria efetivamente separado e reaproveitado. A prefeitura deixa esse trabalho de coletar e separar o que é reaproveitável para os catadores de rua. Para isso, capacita e equipa algumas instituições de catadores, mas isso não resolve o problema.
Dois supermercados da cidade já instalaram em suas lojas estações para coleta de lixo reciclado. Mas o que vemos nesses espaços é desorganização e sujeira, muita sujeira. Isso porque não basta descartar as embalagens, é preciso que elas sejam lavadas, limpas e secas, para que o material possa ser reaproveitado. Não só as latinhas de refrigerante ou garrafas pet podem ser reaproveitadas, mas também as embalagens de leite, sucos e outras, cujo papel pode ser separado do alumínio e reaproveitados, desde que devidamente limpos.
O Instituto Ipê Cultural também recebe lixo reciclável, que é reaproveitado para a produção de peças artesanais, como pufes, bolsas, luminárias e várias outras que chamam atenção para a criatividade. Eles não recolhem o lixo na casa das pessoas, mas recebem o lixo em sua sede, desde que esteja limpo e seco. Dia desses, em uma apresentação acadêmica, ouvi do diretor da instituição uma frase muito sábia: "Eu não vou na casa das pessoas levar as compras, então também não vou buscar as embalagens. Cada um deve ter a responsabilidade de descartar corretamente o próprio lixo". Para quem tiver interesse em conhecer mais o instituto, visite o site no endereço http://www.ipecultural.org.br/.
Penso que o papel da Prefeitura de Uberlândia, além de apoiar os catadores (o que tem muito mérito) deveria ser o de investir ou na coleta seletiva ou na conscientização dos moradores para o descarte correto do lixo. Muitas pessoas nem sabem quando o caminhão de lixo vai passar, deixando seus dejetos nas calçadas por dias a fio. Uma vez que investir na coleta parece ser inviável, que tal investir em campanhas de conscientização? Poderia ser feita uma parceria com o próprio Instituto Ipê Cultural.
Outro aspecto a se pensar é que Uberlândia, que é pólo em logística, terá que adaptar-se à regulamentação da logística reversa, onde fabricantes e distribuidores terão que responsabilizar-se pela coleta de embalagens ou baterias utilizadas, por exemplo. A Tetra Pak, que fabrica embalagens longa vida para leite, sucos e outros alimentos líquidos, já investe nesse processo e conta com pontos de coleta em diferentes cidades.
O poder público tem seu papel, é certo, mas cada cidadão pode fazer o seu também. Um passo é reduzir o consumo de itens desnecessários, adquirir itens retornáveis, usar os produtos até o fim de sua vida útil ou doá-los para quem possa fazer isso. A cidade sempre tem bazares promovidos por Organizações Não Governamentais, Centros Espíritas e Igrejas que recolhem roupas e calçados usados e vendem para pessoas menos favorecidas. Dia desses, ali perto da avenida Getúlio Vargas, vi uma CPU de computador em uma lixeira. Estava chovendo, e ela lá, tomando chuva e acabando de acabar. Se tivesse sido doada, talvez pudesse ter sido útil a alguém.
Estação de coleta de lixo so supermercado Extra
Outro passo é limpar, secar e separar as embalagens usadas, descantando-as de maneira adequada. Em Uberlândia, dois supermercados têm estação para recebimento de lixo, o Extra e o Carrefour. O Instituto Ipê também recebe garrafas pet, latinhas, embalagens longa vida e jornal, que são transformadas em artesanato. Quem tiver interesse pode entrar em contato pelo telefone 3214-5447. A ONG fica na Rua Tupaciguara, 600, ali no bairro Brasil. Nas lojas do Boticário, existe um cesto para que os clientes possam retornar as embalgens de vidro ou plástico de produtos da marca, que são posteriormente destinadas.
Outra possibilidade para embalagens é transformá-las em arte. Há algum tempo, o publicitário Marcel Gussoni publicou em seu blog Sabor Sonoro, uma receita de geléias que ele acondiciona em vidros diversos, que ele limpa e reaproveita (Clique aqui se quiser ler, vale a pena!). Artesãos também aproveitam essas embalagens, transformando-as em arte. O que viraria lixo pode virar potes de tempero, de geléia, de doces, organizadores para clipes e outras tranqueirinhas. Dia desses, ao visitar o ateliê de uma artesão local, ela aproveitou garrafas pet para organizar miçangas e outras miudezas.
É fato que ainda não vivemos em uma cidade sustentável e que nossa prefeitura parece considerar inviável investir em coleta seletiva. Mas é fato também que somos cidadãos e não devemos esperar, unicamente, pelo Estado. Cada um pode fazer a sua parte. E vamos lá. Que tal começar agora mesmo?

Um milhão de amigos

Há muito tempo, quando eu era criança e tinha um canal direto de comunicação com Papai Noel, lembro de alguns pedidos que fiz a ele. E olha que nem existia twitter ou msn. As crianças escreviam cartinhas ou tinham conversas diretas, semelhantes àquelas que tínhamos com os anjos da guarda ou amigos imaginários.
Meus pedidos para o bom velhinho eram singelos, entre eles, o de ter muitos amigos, para não me sentir sozinha. E Papai Noel parece que me entendia, pois sou uma das raras pessoas que tem muitos amigos verdadeiros, mais do que podem contar os dedos das mãos.
Hoje, ao vir para casa, depois de um encontro delicioso com uma dessas amigas que Papai Noel me deu de presente e a quem amo imensamente, lembrei-me de uma velha canção, que dizia: "Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar". Com a ajuda do Google, descobri que é uma música do rei Roberto Carlos. Quer ouvir? Clique aqui. Pode parecer brega, mas e daí?
Em tempos de orkut e facebook, tem gente que pode se orgulhar de ter um milhão de amigos, mas na virtualidade promovida pela internet, amizades assumem uma configuração diferenciada. Amigos virtuais fazem parte dos meu mundo concreto e real.
Devo ter sido uma boa menina, porque Papai Noel trouxe para minha vida amigos verdadeiros, daqueles que me acompanham há anos. Ontem foi aniversário de um deles. Passei o dia todo tentando ligar e cheguei a pensar que seria a primeira vez em mais de vinte anos que não conseguiria dar os parabéns para ele. Consegui, no comecinho da noite. Ao ouvir sua voz tão conhecida, meu coração pulou de alegria. Talvez tenha sido assim que Maria sentiu-se quando soube que seria a mãe de Jesus. Sim, porque a voz do anjo que sussurou em seu ouvido é a mesma voz que sussurra no nosso quando acontecem os encontros com os amigos.
São tantos os presentes que Papai Noel colocou em meu caminho na forma de amigos que se eu fosse listar todos e todas as boas lembranças, talvez fosse necessário um livro. Este ano, vivi o prazer do reencontro com uma amiga irmã, sumida há vários anos e que me reencontrou por meio de meu antigo blog, o Pessoa de Estimação. Ainda não nos encontramos pessoalmente, mas chorei de alegria quando ouvi sua voz, tão familiar, depois de tantos anos.
Semana passada, fui visitar um casal de amigos sem avisar. Estava ao lado da casa deles e resolvi bater, mesmo sabendo que talvez ele não estivessem em casa. Acontece que estavam. E me receberam muito bem. Envolvidos com o banho dos filhos, com mudanças na casa, me receberam com tanto carinho, aquele tipo de carinho que eu pedia para Papai Noel quando era criança.
Hoje fui me encontrar com uma dessas amigas e levei um presente de Natal. A gente morreu de rir quando descobriu que havia comprado uma para a outra um presente quase igual, que tem toda uma história dos inúmeros cafés que tomamos juntas em agradáveis tardes de conversas, risadas e trocas verdadeiras de boas energias.
Tenho amigos com quem morro de rir, em conversas sem sentido. Amigos com quem compartilho sonhos de amor. Amigos que não vejo há anos, mas de quem acompanho os passos. Amigos que me acolhem quando preciso de um lugar para ficar. Amigos que me indicam para trabalhos quando sabem que estou por baixo e precisando me reerguer. Amigos que compartilham meu amor pelos cachorros. Amigos com quem compartilho as agruras e alegrias do mestrado. Amigos que se casam, que têm filhos, que buscam o amor. Amigos que acreditam em uma amizade colorida, que nunca vai acontecer. Amigos reais e virtuais, amigos que se declaram apaixonados. Amigos que moram perto. Amigos que moram longe. São tantos os tipos de amigos que nenhuma classificação daria conta deles.
Fico pensando no quanto Deus é bondoso comigo. Faço amigos por onde passo. No trabalho, na escola, na igreja, na vizinhança, na cãominhada, no meio do nada em Minaçu. Mas Papai Noel, desde os tempos de menina, me advertiu para o seguinte: amizades precisam ser cultivadas. Pequenas coisas, como um telefonema, uma visita programada ou inesperada, um email, um almoço ou um sorvete. Amizade precisa de flor, de carinho, de saudades, de contatos, de encontros e despedidas. Em tempos de contatos virtuais, um emoticon no msn para mandar um sorriso ou um pensamento feliz, um bom dia no twitter.
Penso que terei que escrever novamente ao Papai Noel, dessa vez para agradecer. Agradecer porque figurativamente, tenho um milhão de amigos. Não necessariamente em quantidade, mas na qualidade do afeto de nossas relações. É para eles que desejo um Natal cheio de paz e um novo ano cheio de felicidade, sucesso e muita, mas muita amizade mesmo.
Como hoje sou uma menina moderna, resolvi mandar minha cartinha por aqui mesmo, nesse blog. Obrigada Papai Noel. Não apenas pela quantidade de amigos, mas pela qualidade de cada pessoa que faz parte do meu mundo.